O Ronc-Ronc do gato era demais para mim nos primeiros dias. Depois me acostumei. O que era mais díficil de se acostumar no entanto, eram aqueles pelinhos do gato que insistiam em se alojar em minhas narinas. Para meu desespero e ironia.
Eu odiava gatos. E naquele altura do campeonato, a odiava também.
A odiava por me manter naquele ciclo vicioso de amor-ódio-amor-sexo-coltrane, tão lugar-comum, tão inho-inho, tão cultizinho barato. Ela comprava aquelas bolsas grandes na benedito calixto e cortava o cabelo pensando em ser um Pin’up. Eu a chamava para comer um virado à paulista e ela fazia cara de nojo.
(mas era bonito o jeito que ela encaracolava o cabelo novo e eu dizia: tá procurando piolho? e ela me chutava)
Mas era só isso. Nada de grandes amores, nada de primavera floridas. Ás vezes eu me cansava dela e ela dizia: “Vamos sair, Vamos ver gente!!” e eu sentia me bílis inflamar.
E eu não gosto de Roberto Carlos, nem de João Gilberto.
Mas gostava de ficar sentado naquele banco de 45cm que fica do lado do seu botijão de gás enquanto você dança-caminha ouvindo bolero, e prepara o risoto que aprendeu com sua mãe. Naquelas tardes ensolaradas de quarta-feira, com o eco daTV ecoando a seção da tarde eu dizia: Se felicidade não for isso, talvez eu não chegue a ter dinheiro para compra-la. Você retrucava:” Felicidade não é dinheiro.” E eu dizia: “Não. É um cartão de crédito black.”
Ficamos três semanas separados e nem sentiamos a falta um do outro. Ok, até rolava aquele “aí que saudades ruanita” pelo telefone. Você respondia “sí, sí juan… mutcha saudade”. Mas era só mais uma piada com nosso portunhol.
Daí quando eu fui na sua casa, havia lá um gato e você perguntou: “Vamos tentar de novo?”
Mas já não era tentativa. A gente na verdade decidira abortar todo o amor, quer dizer, toda a última paixão que ainda residira em nossos corações, simplesmente para que no dia seguinte não olhassemos na cara um do outro e pensassemos:”que merda, eu fiz”.
E tudo volta ao normal em nossa vida. Você arruma um namorado atrás do outro que termina com você por te achar promiscua demais. Eu defendo todos eles.
Eu continuo no futebol de botão e no ere-pe-gê , como você diz.
E quando perguntam a você porque terminámos, você diz: “Ele tem um netuno muito mal orquestado. E chulé também.”
E quando me perguntam por que terminamos eu digo: “Inho-Inho demais. E aquele gato desgraçado que não me deixava dormir.”




Põe esse post no garotos ….
vai ser batuta … e o foda foi q eu desaprendi escrever me vendo em 3* pessoa ….
rola umas aulinhas ????